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Livros nacionais, para o bebê brasileiro

17.11.2015

 

 

Pipoca, pão de queijo, arara, tamanduá... Só um livro escrito por um autor daqui da nossa terrinha pode ajudar o nosso "bebê leitor" a desenvolver o seu vocabulário e a criar um imaginário de personagens e narrativas bem brasileiras. Por isso, sou uma grande incentivadora do livro brasileiro para a criança pequena. Acredito realmente que faça alguma diferença na sua formação. As editoras começam a valorizar a produção nacional de escritores e ilustradores voltada para o segmento de 0 a 3 anos. Mas o fato é que só não temos mais livros "nacionais" disponíveis por que o mercado editorial é dominado por lançamentos mundiais. São lindos, eu concordo. Alguns são geniais, muito inteligentes. Mas tenho que falar a verdade:  as regras internacionais impostas para o padrão do livro para bebê dificultam imensamente a publicação de livros para os pequenos aqui no Brasil. E o pior é que esse padrão acabou virando mito na cabeça de muitos especialistas: livro com pontas arredondadas, capa dura com acabamento soft, papel com altíssima gramatura ou com página empastelada (aquela bem grossa), livro de plástico, com pilha, com abas para puxar... Muita gente acredita que livro para esse segmento tem que ter esse tipo de acabamento para não machucar, não rasgar, aguentar o suor das mãozinhas do bebê etc. e tal. Toda essa sofisticação, porém, encarece de forma absurda o custo de produção do livro para o bebê, desestimulando as editoras brasileiras a investirem nesse segmento. Isso quando inexiste o fornecedor gráfico por aqui, como é o caso dos livros de plástico (não tem quem imprima aqui em São Paulo!). A consequência imediata é que é mais fácil e barato importar o título estrangeiro. Por que? Por que ele já vem pronto, impresso e tudo mais. São os chamados lançamentos mundiais: uma única gráfica, em uma mesma impressão, faz o livro em português para o Brasil, em francês para a França, em italiano para a Itália. É bom saber: o custo desse modelo de publicação é infinitamente inferior ao custo de um livro inteiramente feito no Brasil...

Bom, além da justificativa cultural e intelectual do livro brasileiro para o nosso bebê leitor, faço essa defesa econômica dos livros nacionais. Antes de comprar um livro, verifique essa informação: se não for de autor e ilustrador nacionais, peça mais opções. Insista. Tenho certeza que lá no meio da prateleira da livraria, perdido entre outros tantos, tem um livro bem brasileiro esperando pelo seu bebê. E acompanhe o nosso blog, pois tratarei de combater os falsos mitos e principamente apresentarei muitos títulos nacionais. Meu objetivo é chegar em 100 livros brasileiros para o nosso bebê leitor! Vamos ver se consigo...

P.S. Na fotografia que ilustra este post, só tem livro de autor e ilustrador brasileiros! Tirei todos eles da minha estante. E olha que nem acho a minha biblioteca de livros para bebês tão completa assim...

 

 

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