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Resenha: "Meninos gostam de azul, meninas gostam de rosa. Ou não?"

02.08.2017

 

 

  

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Por que ler?

 

Às vezes tenho a impressão de que a eterna discussão sobre o fato das coisas e das atividades serem de menino ou de menina já está ultrapassada. Mas não é bem assim. Tanto que, mesmo atualmente, as crianças, quando estão por volta dos 4-5 anos, trazem esse questionamento de maneira intensa e, muitas vezes, até dolorosa. Em casa meus filhos sempre foram flexíveis: Gabi curtia mais as fantasias dos Power Rangers do que das princesas. O caçula adorava brincar de boneca e escolinha com a irmã mais velha. Todos achavam graça, mas se via um certo estranhamento no olhar da vizinha, da avó, do porteiro do prédio... O que mais me doeu foi a censura das amiguinhas da escola: "como assim não gosta de rosa?!". Mas, como dizem meus  filhos atualmente do alto da sua adolescência, "e daí?!". Pois é, ainda não somos a geração de transição, mas acredito fortemente que, quando adultos, meus filhos criarão meus netos sem esses falsos dilemas. Enquanto isso, por que não usar a literatura para tratar da questão? Isso mesmo, desde pequeno o bebê pode ser exposto à reflexão sobre o papel dos homens e das mulheres, o que cabe a cada um e, principalmente, o que cabe a todos nós - de forma independente do nosso gênero ou daquilo que nos é imposto pela sociedade. Por isso simpatizei bastante com este livro escrito e ilustrado por Nívea Salgado - uma odontologista com pós-doutorado que, assim que se tornou mãe, virou blogueira e especializou-se na prática em assuntos sobre maternidade e infância. No seu blog "Mil dicas de mãe", Nívea dedica-se a compartilhar informação e reflexão com nada mais nada menos que 5 milhões de seguidores! Isso só lhe confere autoridade para debater temas polêmicos, sobretudo aqueles relacionados ao dia a dia das famílias.

 

 

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Como ler?

 

O livro é formado por frases curtas a cada página, sempre acompanhadas de uma ilustração que traz um menino ou uma menina em ação. Mas as frases ora se complementam, ora se contradizem - formando uma espécie de jogo no qual o leitor é convidado a tomar uma posição: é de menina ou de menino, afinal?! Durante a leitura pelo adulto, é interessante comentar com o bebê/criança sobre pessoas ou eventos da sua vidinha e da sua família similares aos temas que o livro explora: esporte, lazer, brinquedos, brincadeiras, preferências, as tarefas domésticas... Em casa, por exemplo, é o papai quem cozinha. Mas quem gosta de filmes com luta é a mamãe (só de filmes, pois não gosto de lutas de verdade). Isso é o que eu diria ao ler este livro para uma criança pequena. A ideia da autora é romper com os papeis preconcebidos. Por isso mesmo a leitura deste livro poderá ser realizada para além da primeira infância. Trata-se de uma obra para guardar e convidar a criança para (re) ler aos 3, aos 4, aos 5 anos... Quem sabe assim ajudamos essa geração de agora a se livrar de esteriótipos e preconceitos no mínimo desnecessários!

 

 

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Palavra da especialista

 

Já comentei anteriormente que uma das características da literatura infantil é a sua relação com o cotidiano da criança e sua família. Quase uma auto-ajuda. Há autores que gostam de explorar temas mais relacionados ao desenvolvimento infantil, como Ilan Brenman, que já foi destaque aqui no blog. Outros preferem assuntos mais abstratos, como a tristeza e a morte. No caso de Nívea Salgado, destacamos uma obra sua que trata de uma temática mais social. Se por um lado pode parecer complexa para o bebê, por outro eu diria que é essencial. Afinal, educar para a igualdade, a equidade e a tolerância é muito, mas muito difícil mesmo. Atualmente tenho a impressão de que tudo joga contra, até mesmo a escola (talvez sobretudo a escola). Por isso compartilho a crença de que devemos começar desde muito cedo. Para nós, pais e mães, é fundamental refletirmos sobre quais são os valores dos quais não abrimos mão. E, para as crianças, devemos ensinar-lhes esses valores desde que elas nascem. Escrevo isso e me questiono: será que estou fazendo tempestade em copo d'água?! Não, não estou mesmo. Sou mulher e apesar de todas as conquistas femininas dos últimos 40 anos, ainda sofro com a desigualdade entre gêneros. Não quero isso para os meus filhos. Muito menos para os meus netos...

 

 

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Onde encontrar?

 

A Editora Callis não tem loja virtual, mas no fechamento deste post encontrei o livro à venda na Amazon e na Livraria Cultura On-line.

 

 

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Tome nota!

 

Título: Meninos gostam de azul, meninas gostam de rosa. Ou não?

Autora: Nívea Salgado (texto e ilustração)

Editora: Callis

 

 

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